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27 agosto 2007

Meios de comunicação manipulam cartas de Madre Teresa

Reproduzo, abaixo, a matéria que acaba de ir ao ar no site Aci Digital. Acho de extrema importância que divulguemos rapidamente a resposta aos meios de comunicação, para que a verdade sobre a vida de Madre Teresa seja reestabelecida. Isso, mesmo a preço de promover a venda de um livro oportunista.

Manchetes como "Madre Teresa perdeu a fé?" ou "A Madre Teresa de Calcutá não acreditava em Deus" ocuparam nas últimas horas as primeiras páginas de meios de comunicação de ampla audiência para "informar" sobre a existência de umas cartas escritas pela beata onde narra a dolorosa experiência de deserto espiritual que sofreu por longos anos.

A agência Associated Press, a revista Time Magazine e a rádio socialista espanhola Cadeia Ser, entre outros meios, abordaram com sensacionalismo o próximo lançamento do livro "O Segredo de Madre Teresa", escrito pelo correspondente da CBS Mark Phillips, que se apóia nas cartas que a religiosa enviou a seu confessor e alguns amigos relatando sua dor espiritual.

Embora os meios se esforcem por apresentar estes textos como "prova" de que a beata realmente não acreditava em Deus e até se sentia hipócrita ante o povo, o certo é que o "deserto espiritual" de Madre Teresa não foi um segredo para a Igreja.

A religiosa pediu que após sua morte em 1997, fossem queimadas estas missivas, mas as cartas foram conservadas pelo sacerdote Brian Kolodiejchuk, postulador de sua causa de beatificação. Para o Pe. Kolodiejchuk , estas cartas ajudam a provar a santidade da religiosa porque permite ter um "novo entendimento, esta nova janela à sua vida interior, que a meu parecer é o mais heróico possível".

Entre os extratos das missivas recolhidos pela imprensa, citam-se parágrafos como: "Sinto que Deus não me quer, que Deus não é Deus, e que ele verdadeiramente não existe". Em um de 1958 se lê: "meu sorriso é uma grande capa que esconde uma multidão de penas".

Em outra carta afirma que "em minha própria alma, sinto uma dor terrível por esta perda. Sinto que Deus não me quer, que Deus não é Deus, e que ele verdadeiramente não existe".

No ano 2002, quando se anunciou a beatificação da religiosa, o Padre Kolodiejchuk ofereceu uma entrevista à agência Zenit em que relatou esta fase na vida de Madre Teresa.

"Antes da inspiração de sua obra, já tinha tido uma experiência de escuridão. Entretanto, é importante levar em conta que esta 'noite’, este sofrimento interior, é fruto de sua união com Cristo, como aconteceu com Santa Teresa de Jesus, ou Paulo da Cruz. Por um lado se dá a união com Jesus e o amor une. E ao unir-se a Cristo, compreendeu o sofrimento de Jesus quando na Cruz gritou: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’", assinalou.

Conforme explicou o sacerdote, "esta 'noite', este sofrimento, é provocado também pelo apostolado, o amor a outros. Amando a Cristo, compreende também o sofrimento de outros, sua solidão, e também seu afastamento de Deus".

"A ‘noite obscura’ de Madre Teresa se deveu, portanto, a dupla dimensão que vive o amor dos religiosos: em primeiro lugar, a ‘esponsal’, seu amor a Cristo, que lhe leva a unir-se a seus sofrimentos, e, em segundo lugar, o amor ‘redentor’, que leva a compartilhar a redenção, a anunciar a outros o amor de Deus para que descubram a salvação através da oração e do sacrifício", adicionou.

Segundo o presbítero, "mais que uma prova de fé, era uma prova de amor. Mais que sofrer pela experiência de não sentir o amor de Jesus, sofria por causa de seu desejo de Jesus, sua sede de Jesus, sua sede de amor. A meta a da Congregação é precisamente saciar a sede de Jesus na cruz através de nosso amor a ele e nossa entrega às almas".

"A Madre compartilhava não só a pobreza física e material dos pobres, sentia a sede, o abandono que experimentam as pessoas. De fato, a pobreza maior é não ser amado, ser rechaçado", indicou.

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